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Blog Mútua

Governança de dados: o papel da ética digital

O rápido processo de digitalização e as recentes crises globais aceleraram a percepção por parte das empresas sobre a importância da ética digital. A governança de dados é o processo pelo qual é possível zelar pela ética nos ambientes digitais.

 

Isso porque a governança de dados é um conjunto de processos, políticas e procedimentos que garantem a gestão adequada dos dados de uma organização.

 

O seu papel é estabelecer as diretrizes para a coleta, armazenamento, organização, qualidade, integridade, segurança e uso dos dados. Acompanhe a leitura deste artigo e compreenda melhor o processo de governança de dados e o seu relevante papel na promoção da ética digital.

 

O que é governança de dados?

 

A governança de dados visa assegurar que os dados sejam tratados como devem ser, ou seja, como ativos valiosos, e também que sejam gerenciados de forma eficiente, consistente e confiável. Ela define responsabilidades e papéis claros para todos os atores envolvidos no ciclo de vida dos dados, incluindo proprietários de dados, usuários, especialistas em dados e equipes de TI.

 

Ela envolve a criação de políticas, a definição de padrões, a implementação de ferramentas tecnológicas, a capacitação dos colaboradores e a adoção de boas práticas para garantir a gestão efetiva dos dados ao longo do tempo.

 

Qual o objetivo da governança de dados?

 

O principal objetivo da governança de dados é resguardar a qualidade dos dados, ou seja, é garantir a precisão, integridade e consistência dos dados, evitando duplicidades, erros e informações desatualizadas.

 

No entanto, há ainda outros objetivos relevantes, como garantir a conformidade regulatória, assegurando que a coleta e o uso dos dados estejam em conformidade com as leis, regulamentos e políticas internas e externas aplicáveis, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

 

Outro ponto de extrema importância é a garantia da privacidade e segurança. É preciso proteger os dados contra acessos não autorizados, garantindo a confidencialidade das informações sensíveis por meio da implementação de controles de segurança, criptografia, monitoramento e gestão de riscos.

 

Além disso, a governança de dados tem o papel de fornecer dados confiáveis e relevantes para apoiar a tomada de decisões estratégicas e operacionais dentro da organização e de padronizar os processos de gestão de dados para otimizar a sua utilização, reduzir redundâncias, minimizar retrabalhos e melhorar a eficiência e produtividade organizacional.

 

Uma parte essencial da governança de dados é a definição de papéis e responsabilidades claras para os envolvidos. Isso inclui a designação de um responsável pelos dados, cujo papel é gerenciar um conjunto específico de dados e criar comitês ou conselhos de governança de dados para tomar decisões estratégicas relacionadas aos dados.

 

Por fim, ela também abrange aspectos técnicos, como a padronização de metadados, que são informações descritivas sobre os dados, facilitando a sua compreensão e utilização.

 

Desta forma, a definição de modelos de dados, políticas de qualidade e integridade dos dados, e a implementação de processos de gestão do ciclo de vida dos dados também são parte integrante dessa governança.

 

O que é ética digital?

 

A rápida evolução das plataformas digitais trouxe novos desafios éticos e levantou questões complexas sobre privacidade, segurança, manipulação de informações, discriminação algorítmica, etc., e a ética digital busca lidar com essas questões e promover um uso responsável e benéfico da tecnologia.

 

Neste cenário, a ética digital consiste em um conjunto de princípios e valores morais que guiam o comportamento e as decisões relacionadas ao uso da tecnologia. Ela busca estabelecer diretrizes e padrões éticos para orientar as interações, a privacidade, a segurança e as responsabilidades no mundo digital.

 

Como a governança de dados contribui para a ética digital?

 

A governança de dados desempenha um papel fundamental na promoção da ética digital. Isso porque todas as políticas, diretrizes e processos estabelecidos para a gestão dos dados no âmbito da governança de dados, ajudam a garantir que o uso da tecnologia digital seja feito de maneira responsável, transparente e em conformidade com os princípios éticos.

 

Em outras palavras, a preservação da privacidade e a proteção dos dados pessoais são orientadas pelas políticas de governança de dados e suas diretrizes para a coleta, o uso e o armazenamento de dados pessoais. Isso ocorre por meio da implementação de controles de segurança, a adoção de práticas de anonimização e a obtenção de consentimento informado dos usuários.

 

Além disso, a governança de dados promove a transparência nas práticas relacionadas aos dados, permitindo que os usuários entendam como suas informações estão sendo coletadas, usadas e compartilhadas. Ela também estabelece mecanismos de prestação de contas, responsabilizando as organizações pelo uso adequado e ético das informações.

 

Qualidade e confiabilidade

 

A qualidade dos dados é também um ponto relevante, por isso é preciso criar padrões e processos para evitar erros, inconsistências e informações enganosas.

 

Todos esses processos visam aumentar a confiabilidade das informações disponíveis e evitar a disseminação de dados incorretos que possam afetar negativamente a tomada de decisões e a confiança dos usuários. A governança promove a prática de obter consentimento informado dos usuários em relação à coleta e ao uso de suas informações.

 

Esse ato incentiva a transparência na comunicação sobre como os dados serão usados, permitindo que os usuários tenham maior controle. Neste contexto, também é considerado a participação ativa dos usuários na definição de políticas e diretrizes relacionadas ao tema.

 

Outro ponto de atenção é a chamada discriminação algorítmica, que é um “efeito colateral” da transformação digital e das ferramentas utilizadas nesse processo, a qual precisa ser identificada e corrigida.

 

A governança de dados identifica e toma ações para mitigar esse problema, criando diretrizes claras para o desenvolvimento e a implementação de algoritmos. Dentre as ações que devem ser tomadas podemos destacar a revisão dos conjuntos de dados para identificar e corrigir vieses, a criação de mecanismos de supervisão e auditoria de algoritmos e a promoção da diversidade e inclusão na concepção dos modelos de dados.

 

Conclusão

 

Por fim, respondendo à pergunta inicial, quando a empresa implementa uma governança de dados efetiva, ela demonstra credibilidade e zelo pela proteção dos direitos e privacidade dos usuários, bem como com a utilização ética e responsável da tecnologia.

 

Em outras palavras, no contexto atual, em que as organizações estão lidando com grandes volumes de dados provenientes de diversas fontes, como dispositivos IoT Internet das Coisas), redes sociais e sistemas empresariais, a governança de dados é o processo indicado para garantir confiabilidade, segurança e conformidade. Ela oferece uma estrutura para garantir que as decisões relacionadas aos dados sejam tomadas de maneira ética, promovendo a confiança e a integridade no ambiente digital, e é neste ponto que ambos os conceitos se relacionam.

 

Fonte: https://uplexis.com.br/blog/artigos/governanca-de-dados-o-papel-da-etica-digital

 

Comitê LGPD